Aquele momento 

Existe aquele momento em que uma pessoa a saltar à corda consegue fazer 42km em menos tempo que eu, e existe aquele momento em que

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Fiz 42km, mas não sinto que tenha feito uma maratona

Faz hoje uma semana .

Acordei ainda nem 5horas eram, sem grande entusiasmo. No caminho para Cascais cruzamos nos com com os jovens que estava a terminar a noite, o que me fez sentir por momentos um pouco de inveja.

Já em cascais, enquanto aguardávamos pela chegada de uma amiga, fomos abordados por um senhor, que aparentando ter tido uma noite carregada de alcool -pareceu me mais lúcido que nós- tendo-se deparando-se com uma multidão de pessoas vestidas com tshirts calções e ténis, nos questionou qual o motivo pelo qual nós fazíamos isso, pois ele nao conseguia perceber.

Realmente, o que é que leva uma pessoa normal a acordar de madrugada para apanhar comboio para cascais, para dai ir a correr ate ao guincho e voltar depois para trás em direcção ao terreiro do paço?!

Sem que tivéssemos esclarecido devidamente o Sr. seguimos caminho para a partida.

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8h ,é dado o tiro de partida e inicia-se a viagem.

Corri, corri, tentei aguentar, caminhei, voltei a correr, ganhei pica, perdi a pica, voltei a caminhar, depois do Estoril fiquei sozinha, arranjei forma de me distrair, liguei os phones, tirei fotos, tirei selfies, fui ultrapassada por um casal que levava um carrinho de bebé, voltei a correr, em Caxias ultrapassei 3 quenianos , incentivei uma pessoa a continuar, voltei a caminhar, fui incentivada a correr ,senti vergonha, voltei a correr, fiz telefonemas , desesperei com o calor, senti dores,  percebi que doía menos se corresse, cansei me de correr, aos 40km em santos tive abastecimento de cerveja que me soube pela vida, fiz os últimos 900 metros a correr ate á meta, cheguei antes das 6h (tempo máximo dado pela organização), tirei a foto da chegada, beijei o meu namorado,  mas já não tive direito a banana da madeira, nem ao gelado da olá. Tirei mais umas fotos, fui para casa, tomei banho, almocei e fui trabalhar .

Deveria ter me sido orgulhosa, radiante de felicidade apesar de todas as dores, sei que 42km nao é para todas à gente, mesmo intercalando com caminhada, mas o que sinto é um vazio, a falta de algo, e foi este o motivo pelo qual há duas semanas atrás pensei em adiar esta distancia, sabia que no estado em que estava, sem ter treinado devidamente, conseguia concluir a distancia mas não iria fazer a prova que gostaria de ter feito, e sentir o entusiasmo que devia ter sentido. E foi o que realmente aconteceu.

Se a Pamela Anderson conseguiu, eu também consigo. 

 No domingo passado, fiz uma prova de 21km, que iria servir como teste à maratona de amanhã, mas o que aconteceu foi muito diferente do esperado, acabei por desistir aos 12km  o que me levou a decidir alterar a inscrição de amanhã para metade. Estava decidida, destroçada e desmotivada. Tentaram me convencer me do contrário, e eu acabei por ceder. 

Sem querer desvalorização a Pamela Anderson, mas quero acreditar que se ela conseguiu eu também consigo.


Não estou própriamente entusiasmada com o dia de amanhã, nem se quer sinto o nervosismo (e espero que isso jogue a meu favor) . Quero falar sobre o assunto, mas ao mesmo tempo irrita me o facto de estarem constantemente a falar sobre o mesmo,  a questionarem me se estou preparada, a afirmarem que eu sou capaz, e  que devo continuar com o plano de fazer a Maratona.

Sei que não fiz o básico, o treino, que ficou muito à quem do suposto, e confesso que essa parte me deixa triste, porque é todo o percurso de treino que nos leva desde a decisão de cometer esta loucura, correr 42km, até à meta que nos dá o verdadeiro valor e sentimento de conquista , e eu perdi essa parte. Sei que consigo e que vou chegar ao fim, nem que chegue só na segunda de manhã já com a meta desmontada,  mas vou, sem atalhos, chegar ao fim. 

E agora xixi cama, que amanhã é para acordar cedo., 😂😂

Meter o orgulho de lado 

Já foram várias as vezes em provas de corrida em que perdi as forças e tive vontade de desistir. o orgulho tem me impedido sempre e levando me sempre até ao final.

Mas como em tudo, há sempre uma primeira vez, e ontem foi esse dia em que  meti o orgulho de lado e decidi não levar uma prova até ao fim, na meia maratona Ribeirinha, na moita. Os motivos foram vários, calor, cansaço, falta de vontade, e uma ambulância a  200m de distância de mim a fechar a prova,  a decisão final chegou ao passarmos junto a meta de chegada, onde decidimos não continuar . De 21km foram 9 os que ficaram por fazer.  

Ficou um sabor agridoce, mas terá sido a melhor decisão.