Meia maratona Setubal – Mais olhos que barriga

Há já muito tempo que os meus treinos no ginásio se resumem a 2 a 3 treinos por mês, os treinos de corrida são feitos ao domingo durante as provas. Ainda assim a  minha pessoa com esta preparação física  toda insiste em fazer provas de 21km. Não é por já o ter feito anteriormente sem treino e ter corrido razoavelmente bem  que posso continuar a faze-lo , até porque a idade não perdoa certo?!

Mas acabo sempre por me esquecer desse pequeno pormenor e ambicionar fazer sempre a prova grande, e obviamente que  isto tem tudo para correr mal. E foi a 2º vez que me vi obrigada a encurtar a distancia para a qual me inscrevi.

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Foi a falta de preparação, o calor e a desidratação . Ainda não tinha chegado ao 3º km e já estava em sofrimento, ainda assim insisti em seguir para a direita pelo caminho da meia maratona em vez de continuar em frente e ficar me pela corrida das famílias. Depois de mais uma longa subida percebi que não iria conseguir fazer os 21km, não valia a pena insistir para me sentir ainda mas frustrada, exclui então a parte das subidas e descidas da Arrábida e encurtei para a meta fazendo 1/4 de Maratona.

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Corrida e caminhada do Benfica

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Há muito que as provas que faço são a correr na prova principal (pelo menos enquanto me aguento a correr) , desta vez decidimos variar, e levar o sobrinho a fazer os seus primeiros 5km na caminhada do Benfica.

Fizemos alguns sprints de corrida, mas houve tempo para aproveitar o percurso e observar as pessoas. Coisa que raramente acontece na prova principal visto acabar por me concentrar mais no meu sofrimento e nos kms que ainda me faltam. Esta prova permitiu-me ver aquilo que me rodeia, as mães que levam os seus filhos pela mão ,  no carrinho e até ao colo , os companheiros de 4patas equipados devidamente a rigor , os amigos que vão juntos cada um com a camisola do seu clube, tudo com calma. Pareceu-me por momentos que a caminhada é muito mais animada que a corrida.

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Fiz 42km, mas não sinto que tenha feito uma maratona

Faz hoje uma semana .

Acordei ainda nem 5horas eram, sem grande entusiasmo. No caminho para Cascais cruzamos nos com com os jovens que estava a terminar a noite, o que me fez sentir por momentos um pouco de inveja.

Já em cascais, enquanto aguardávamos pela chegada de uma amiga, fomos abordados por um senhor, que aparentando ter tido uma noite carregada de alcool -pareceu me mais lúcido que nós- tendo-se deparando-se com uma multidão de pessoas vestidas com tshirts calções e ténis, nos questionou qual o motivo pelo qual nós fazíamos isso, pois ele nao conseguia perceber.

Realmente, o que é que leva uma pessoa normal a acordar de madrugada para apanhar comboio para cascais, para dai ir a correr ate ao guincho e voltar depois para trás em direcção ao terreiro do paço?!

Sem que tivéssemos esclarecido devidamente o Sr. seguimos caminho para a partida.

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8h ,é dado o tiro de partida e inicia-se a viagem.

Corri, corri, tentei aguentar, caminhei, voltei a correr, ganhei pica, perdi a pica, voltei a caminhar, depois do Estoril fiquei sozinha, arranjei forma de me distrair, liguei os phones, tirei fotos, tirei selfies, fui ultrapassada por um casal que levava um carrinho de bebé, voltei a correr, em Caxias ultrapassei 3 quenianos , incentivei uma pessoa a continuar, voltei a caminhar, fui incentivada a correr ,senti vergonha, voltei a correr, fiz telefonemas , desesperei com o calor, senti dores,  percebi que doía menos se corresse, cansei me de correr, aos 40km em santos tive abastecimento de cerveja que me soube pela vida, fiz os últimos 900 metros a correr ate á meta, cheguei antes das 6h (tempo máximo dado pela organização), tirei a foto da chegada, beijei o meu namorado,  mas já não tive direito a banana da madeira, nem ao gelado da olá. Tirei mais umas fotos, fui para casa, tomei banho, almocei e fui trabalhar .

Deveria ter me sido orgulhosa, radiante de felicidade apesar de todas as dores, sei que 42km nao é para todas à gente, mesmo intercalando com caminhada, mas o que sinto é um vazio, a falta de algo, e foi este o motivo pelo qual há duas semanas atrás pensei em adiar esta distancia, sabia que no estado em que estava, sem ter treinado devidamente, conseguia concluir a distancia mas não iria fazer a prova que gostaria de ter feito, e sentir o entusiasmo que devia ter sentido. E foi o que realmente aconteceu.

Meter o orgulho de lado 

Já foram várias as vezes em provas de corrida em que perdi as forças e tive vontade de desistir. o orgulho tem me impedido sempre e levando me sempre até ao final.

Mas como em tudo, há sempre uma primeira vez, e ontem foi esse dia em que  meti o orgulho de lado e decidi não levar uma prova até ao fim, na meia maratona Ribeirinha, na moita. Os motivos foram vários, calor, cansaço, falta de vontade, e uma ambulância a  200m de distância de mim a fechar a prova,  a decisão final chegou ao passarmos junto a meta de chegada, onde decidimos não continuar . De 21km foram 9 os que ficaram por fazer.  

Ficou um sabor agridoce, mas terá sido a melhor decisão. 

  

Armada em corredora 

Num treino de grupo, abordagem de uma desconhecida 

– olá, quantos km é que vão fazer?!

Eu super entusiasmada :

– vamos tentar fazer os 30km 

Desconhecida surpreendida :

– boa sorte!  vão a que ritmo? 

Eu, com os pés bem assentes na terra, e já a prever algumas paragens técnicas e caminhadas pelo meio  :

– estamos a contar fazer uma média de 7m/km

Desconhecida tenta disfarçar desapontamento, e afasta se lentamente de nós.
*os 30km foram feitos e a média correspondeu à previsão, tendo realmente ocorrido caminhadas pelo meio. 

Alucinações pós prova 

Depois de uma prova de 44km (sobre a qual falarei brevemente)  chegada a hora de descanso.  Olhinhos fechados. Passo a noite a correr em trilhos ( como se não tivesse corrido já o suficiente)   O sonho de tão intenso que é obriga me a uma interrupção no sono para abastecimento na caixa de bolos que felizmente se encontrava no quarto. 
 

Alenquer Xmas Trail – 22km

Domingo, a segunda dose do fim de semana servida com 22km em Alenquer.

Não tão acessivel como o percurso Ericeira Trail Run , subidas mais acentuadas e em maior quantidade. O meu desespero começou logo nos primeiros 2km da prova ainda sem termos entrada nos trilhos, vindo eu a um ritmo abaixo de 6′ mas já sem ver ninguém atrás de mim (desmotiva qualquer um). Recuperamos na primeira subida, mas ao longo da prova as coisas não correram tão bem como suposto, mas o mais importate foi que não desistimos e chegamos ao fim para receber a nossa bela e merecida medalha.

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Ericeira Trail Run – 19Km

O Fim de Semana chegou no Sábado e as corridas também. Sendo as ultimas do ano a despedida tinha de ser em grande.

Sabádo de manhã cedinho, lá estava eu na Ericeira pronta para inicar a maratona de dois dias.

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Foram 19Km pelas estradas e trilhos de Ericeira num Trail bastate acessivel, que pouco sofriemento me deu, fazendo com que eu concluisse o percurso mais cedo do que esperava.

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Confesso…

Eu sou aquela – maluquinha – que numa corrida mesmo tendo praticamente toda a gente à minha frente (só para não parecer tão mal em dizer que sou quase a última), estou constantemente a dar apoio aos que vem em sentido contrário e à minha frente.

Juro que não andei a tomar nada, muito menos fumar (que isso faz mal aos pulmões), mas às vezes dá me para isto.