Meter o orgulho de lado 

Já foram várias as vezes em provas de corrida em que perdi as forças e tive vontade de desistir. o orgulho tem me impedido sempre e levando me sempre até ao final.

Mas como em tudo, há sempre uma primeira vez, e ontem foi esse dia em que  meti o orgulho de lado e decidi não levar uma prova até ao fim, na meia maratona Ribeirinha, na moita. Os motivos foram vários, calor, cansaço, falta de vontade, e uma ambulância a  200m de distância de mim a fechar a prova,  a decisão final chegou ao passarmos junto a meta de chegada, onde decidimos não continuar . De 21km foram 9 os que ficaram por fazer.  

Ficou um sabor agridoce, mas terá sido a melhor decisão. 

  

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Meia maratona Cascais 

Os antigos 20km de Cascais ganharam mais 1km e alguns metros e passaram a meia maratona. A 6 completada no meu currículo. 
Ando com uma relação de amor/ódio por esta distância. O ódio vem da má  prestação nas provas,  reflexo dos treinos que muitas das vezes ficam por cumprir. Não vale a pena mentir, ando a ser completamente controlada pela preguiça.  

Domingo não foi excepção, custou me a acordar, fiz ronha para me levantar, mas fui. Sou preguiçosa mas orgulhosa e tinha 21km para fazer. 

Começamos a subir, e eu até gosto de subidas (tirando aquelas de 5km nos trails) íamos a um bom ritmo, mas aos 3km eu já só me queria mandar para o chão, e ainda faltava tanto,tentei abrandar o ritmo,  começou me a doer o calcanhar e o gémeo, comecei a sentir uma bolha a formar se no dedo do pé, fui me abaixo psicológicamente (engraçado que isto têm tendência a acontecer nas provas montepio), parei, caminhei, e retornei. Foi preciso chegar aos 10km para entrar no espírito, só que aí tive de esperar por quem noutros tempos esperou por mim. Não fizemos o melhor tempo, mas também não fizemos o pior. Mas para quem aos 3km  queria desistir, ter chegado ao fim sem ter feito o pior tempo foi uma conquista. 

Segunda feira dos ais

Dou um passo e solto um “ai”, dou outro e sai mais um “aí”.
“Ais” que estranhamente vem acompanhados de um sorriso parvo que se mantém desde ontem.

Ontem foi dia de meia maratona,  aquela para a qual falhei todos os planos de treinos, e que só um milagre me levaria a conseguir chegar ao fim.

Surpresas das surpresas, esse milagre aconteceu.

A meio do tabuleiro da ponte não acreditava que pudesse ser possível conseguir fazer os 21km, aliás pensei para com os meu dorsal que nem os 7/8km da mini seria capaz de fazer a correr, quanto mais 21km… Foi nos primeiros 2km que fui vítima do psicológico, mas rapidamente entrei em piloto automático. Abrandei o passo quando achei preciso mas nunca, a não ser apenas para conseguir beber o copo de powerade, parei.

As dores começaram a aparecer a partir do km 10,  ora era uma dor no tendão, ora era uma bolha que eu sentia a formar se dentro do ténis ,  mas nada disso me fez parar. 
Aos 15km já ia orgulhosa de nós, e apesar de não irmos a grande velocidade os kms foram passando num instante. Chegamos aos 17km e lembrei me da última e única vez que os tínhamos feito (parque das nações – Algés) e da descarga que senti no final.
Ultrapassei essa barreira dos 17km em piloto automático , e cada vez mais orgulhosa de mim, aos 18km comecei a acreditar,já faltava muito pouco, não valia a pena parar agora. E eis que lá ao fundo ao virar à esquerda visualizo a meta. Nunca me tinha sentido tão feliz por visualizar uma meta. 
E com enorme orgulho, vaidade e felicidade cruzei juntamente com o Belelinho a meta .

E pela primeira vez senti merecer uma medalha!!

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À um ano atrás apesar de me ter dedicado e esforçado a treinar para esta prova, não consegui ser feliz, este ano com pouca vontade e sem treino consegui o meu ajuste de contas!!
Pode parecer ridículo, mas vocês nem imaginam a minha felicidade por o ter conseguido.

O que não nos destrói torna-nos + fortes

Por norma toda a gente que termina uma Meia Maratona pela sua primeira vez sente-se imensamente feliz, realizado, radiante de satisfação por muitas que sejam as dores. Eu fui perdendo o sorriso, que queria manter durante toda a prova,  após 1/3 da prova, ao me aperceber que apesar de aguentar as pernas e a respiração, havia uma parte do meu corpo que não me iria facilitar a vida. E foi esse desconforto que me acompanhou em mais de metade da prova, e que me fez caminhar pelo menos 1/3 da mesma.

A tristeza de saber que me dediquei nos últimos meses a um plano de treino para este dia, saber que tinha condições para fazer a distância planeada, muito possivelmente abaixo do tempo planeado, e que foi tudo abaixo por causa da maldição da cólica que me estragou o dia. Mais triste ainda por saber que estava a estragar também a prova do meu namorado, que me aturou e fez inúmeros esforços para treinar comigo para me poder acompanhar neste dia que devia ser especial, sentir que o estava a desiludir, sentir que por muito apoio que tenha – e tive muito para este dia – acabo por ser sempre uma desilusão.

Sim, fiz os 21km, cheguei ao fim , mas sem qualquer prazer nem felicidade. Foi como se não tivesse feito a meia maratona. E nem o percurso de treinos que fiz – em que não falhei um unico dia – me alivia a depressão que sinto.

Se esta queda me vai deixar no chão???

Nem pouco mais ou menos….

Estou cheia de vontade de ter uma desforra e atacar a próxima meia-maratona!!!