Ultrapassar medos

Ultimamente vivo um pânico constante durante os meus percursos de mota.
Não que tenha medo de andar de mota.
Tenho medo,  sim,  mas daqueles com quem partilho a estrada.  E sempre que me vejo numa via rápida com grande fluxo de carros entro em pânico.
Foi preciso 2anos para que este pânico aparecesse subitamente.
Talvez tenha aparecido ao sentir o vento de um carro que passou por mim a centímetros de distância, acabando por embater no carro que se encontrava à frente, não tivesse eu por um estranho motivo ter me colocado na parte mais à direita da faixa e se calhar tinha sido eu a levar com ele,  e no meu caso, não teria sido só chapa a ficar amolgada,  talvez Tenha sido isso,  esse acontecimento no preciso dia em que a minha mota fez dois anos,  que me tornou receosa . 
Quem anda de mota já apanhou sustos (pelo menos um), às vezes grandes,  embora isso não faça ficar com  medo, ver o desfecho de um susto deixa nos a pensar.

Nas últimas semanas tenho tentado conviver com o meu pânico. Para minha infelicidade apanho vias apinhadas de carros,  e apesar de o tráfego neste momento estar reduzido devido às férias,

o entra e sai apressado de faixas

dá me cabo dos nervos.

Hoje tive de lutar mais forte com este meu pânico – não sei se o pessoal já voltou de férias –  vi me obrigada a fazer praticamente a segunda circular toda pelo meio de carros.  Mesmo sabendo que por os carros estarem praticamente parados, o perigo de passar por entre eles é menor do que ficar em para-arranca entre dois carros, não acalmou o medo, e tive vontade de parar a mota e esperar que aquele trânsito parvo e sem motivo acabasse.
Lá me fiz de forte e continuei, admito que não me foi fácil. Fui parando quando necessário,  deixando passar os mais ousados e corajosos,  na esperança que me abrissem caminho,  mas rapidamente os perdia.
E como se passar por entre carro não fosse já desafio suficiente,  tinham de me por uma fila de 3 camiões na faixa do meio,  só para complicar a coisa. 

Segunda- Feira, como eu te adoro

Segunda Feira

Adoro..

Fonte: Pinterest

  

Aquela segunda-Feira depois de um fim-de-semana (sim porque existem aquelas segundas em que ou estamos de folga ou de férias).

Entrar as 9h da manhã e ter de apanhar trânsito na ida para o trabalho e na volta para casa.

Ter de ser forçada a fazer cálculos mentais para passar no meio dos carros. Apertar embraiagem soltar embraiagem, estar a atenta a possibilidade de aproximação de motão com mais experiência, deixar passar o motão para ele me abrir caminho, tentar ter a confiança para ir à mesma velocidade do motão para não o perder de vista. Travagem apertada, estar atenta aos condutores aos zigzags com telemóveis na mão. Subir mudanças, reduzir mudanças, prever mudanças de direção não sinalizadas e que os próprios condutores ainda não sabem que as vão fazer.

 

E é por tudo isto que eu adoro uma segunda feira nesta cidade cheia de gente.

Finalmente o fim de semana!

Depois de uma semana esgotante,  onde andei ansiosa pelo regresso a casa na sexta,  dou por mim nesse mesmo regresso a apanhar uma fila enorme de trânsito. 

Mas a quem é que eu terei feito mal?

Vale me o facto de andar de mota. Tentei então reencontrar um pouco de concentração para passar com a mínima segurança pelo meio dos carros,  para rapidamente poder descansar e dizer…. Finalmente estou de fim de semana!!!

Companheiros de estrada

Caros companheiros de estrada, que em duas rodas se deslocam:
Não me agradeçam por eu no trânsito parar e me encostar para que vocês passem,  não o faço por simpatia nem tão pouco por me achar azelha pelo facto de ser mulher e ter pouca experiência em duas rodas,  simplesmente dá-me imenso jeito que uma mota de maiores dimensões e maior roído vá à minha frente para me abrir caminho…. Não me agradeçam, eu é que vos agradeço.